A obediência a Jesus para a salvação

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24:14). Até aqui falamos a respeito de alguns dos valores e mandamentos importantes do reino. Mas o que é exatamente o evangelho do reino?

Em essência, o evangelho do reino é a fé histórica cristã. Esta é a fé que os cristões dos primeiros séculos criam e praticavam. O evangelho do reino inclui a totalidade do que Jesus e seus apóstolos dizem sobre todo assunto. O mesmo não se baseia em textos cuidadosamente selecionados, e também não depende de nada fora da escritura.

O evangelho do reino é o caminho de Jesus para a salvação. Suas crenças fundamentais são os ensinamentos diretos do próprio Jesus, e não os escritos de Paulo. Para ser claro, os escritos de Paulo são inspirados pelo Espírito Santo e, portanto são fidedignos e verídicos. Mas Paulo se baseou nos ensinos fundamentais de Jesus. Ele não começou um novo evangelho. Em contraste, a teologia popular de hoje, o evangelho fácil, começa com Paulo. E ao ignorar o contexto das epístolas de Paulo, este evangelho interpreta a Paulo de uma maneira que converte os ensinos de Jesus em heresias.

Não venha com essa! Agora você está passando dos limites Talvez seja o que está pensando. Como a teologia moderna converte os ensinos de Jesus em heresias? Bom, o que aconteceria se eu entrasse hoje na maioria das igrejas que afirmam ser bíblicas e pregasse:

• Os pecados que você comete a cada dia não lhe serão perdoados se você não perdoar os pecados das outras pessoas (Mateus 6:15).

• Para ser salvo, a pessoa tem que viver segundo os ensinamentos de Jesus (Mateus 7:24–25).

• Se não alimentarmos o faminto e vestirmos o pobre, não veremos o céu (Mateus 25:32–46).

Estou convicto de que seria chamado de herege se pregasse estas coisas na maioria das igrejas evangélicas. Mas o evangelho do reino diz que posso crer no que Jesus diz! Posso confiar nas suas palavras. Agora, muitos cristões talvez diriam: “E quem não sabe disso?” No entanto, a maioria dos sistemas teológicos populares pedem ao cristão que não creia no que Jesus diz.

O reino é fundamental

De modo diferente da maioria dos sistemas teológicos, o evangelho do reino concentra-se no reino de Deus, e não na salvação pessoal do homem. Não podemos separar a salvação do reino. E não podemos estar entregues a Jesus se não estamos entregues a seu reino.

Na realidade, toda a Escritura aponta para este reino. Desde o princípio, Deus teve o propósito de estabelecer um reino especial. O fato é que ele profetizou a respeito desse reino durante o período do Antigo Testamento. Destas profecias do Antigo Testamento uma das mais importantes aparece no capítulo 2 de Isaías:

E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor. E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear (Isaías 2:2–4).

A maioria dos cristões lê esta escritura como se a passagem estivesse se referindo a acontecimentos que serão cumpridos depois da vinda de Cristo à terra. E embora sem dúvida também se aplique a esse tempo, seu cumprimento está acontecendo agora mesmo. Para melhor dizer, tem ocorrido desde que Cristo começou seu ministério. Jesus inaugurou seu reino quando ele veio à terra e convidou os seus ouvintes a entrar nele.

No princípio, os judeus foram os únicos que receberam o convite de entrar no reino, mas depois se abriu o caminho para todos. E o povo de todas as nações começou a correr “a ele”. Os que entraram neste reino “converteram as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices”. Eles já não levantavam a espada uns contra os outros, e esqueceram a guerra para sempre.

Jesus fez um pacto de conceder um reino aos que andarem em seus caminhos: “E vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações. E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou,” (Lucas 22:28–29). E novamente: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (Apocalipse 3:21).

Quem pode entrar no reino

Deus deu a todos os seres humanos a oportunidade de ser cidadãos de seu reino. Ele não escolheu arbitrariamente a um grupo específico do gênero humano para destiná-lo a fazer parte de seu reino e enviar o resto para o castigo eterno. Qual teria sido o propósito de semelhante coisa? Se estar no reino fosse o resultado de uma escolha arbitrária, Deus teria escolhido todas as pessoas para entrarem no reino, porque ele não quer ninguém se perca, “senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).

A seleção que Deus faz de seus cidadãos eternos não é nada de arbitrária. Não, Deus deseja encher seu reino com essa pequena minoria do gênero humano que realmente o ama. O reino é para aqueles que verdadeiramente desejam andar em seus caminhos. E ele quer em seu reino somente aqueles que crêem que ele fará o que prometeu. Ele só deseja aqueles que têm fé em que suas leis e seus caminhos são sempre corretos, bons e o melhor para os seus súditos.

E como Deus determina quem são os que cumprem estes requisitos? Ele nos prova. Você notou as palavras de Jesus que citei anteriormente? “E vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações” e “Ao que vencer”. Haverá tentações e provas para os que entrarem em seu reino. Como Paulo disse: “Pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22).

Na realidade, Deus sempre provou a humanidade, inclusive antes que seu reino eterno fosse anunciado. Uma das primeiras coisas que ele fez após criar os primeiros seres humanos foi pô-los à prova. Ele provou a Noé ao lhe mandar que construísse um arca. Provou a Abraão ao lhe dizer que oferecesse a seu filho Isaque em sacrifício. Como a escritura nos diz: “O Senhor prova o justo” (Salmo 11:5). E novamente nos diz: “O crisol é para a prata, e o forno para o ouro; mas o Senhor é quem prova os corações” (Provérbios 17:3). E: “Pois tu, ó justo Deus, provas os corações e os rins” (Salmo 7:9).

As três provas principais

Há três provas principais que Deus usa para eliminar os que não são aptos para o seu reino.

Prova # 1: A fé. O reino é invisível para qualquer que não tenha nascido de novo. “Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). Portanto, é preciso bastante fé até para que as pessoas desejem se unir a um reino que não podem ver. Em segundo lugar, a maioria das bênções prometidas relacionadas ao reino acontecerá no futuro. De maneira que uma pessoa tem que ter fé em que Deus realmente fará o que prometeu.

Esta prova de fé elimina a maior parte da raça humana. A maioria das pessoas não tem suficiente fé para crer num reino que não podem ver nem para confiar em promessas que não serão cumpridas até depois da sua morte.

Prova # 2: O compromisso. Como já vimos anteriormente, Jesus nos exige que lhe rendamos tudo por causa de seu reino. Nossa primeira e maior lealdade tem que ser ao nosso Rei, Jesus Cristo, e ao seu reino. Jesus exige que nossa lealdade a ele ultrapasse inclusive a nossa lealdade e amor por nossos pais, filhos, cônjuges, país, e até por nossas próprias vidas.

O único tipo de pessoa que Jesus deseja em seu reino são os que compreendem que “o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo. Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a” (Mateus 13:44–46).

A maioria das pessoas que passam na prova da fé tropeçam na prova do compromisso. Sem dúvida, estas pessoas crêem num reino invisível e nos galardões eternos… mas só se não lhes custar muito. Renunciar a tudo por promessas somente? De jeito nenhum.

Já que poucas pessoas passam na prova do compromisso, poderíamos supor, com toda a razão, que vão ficando muito poucos no reino. No entanto, Jesus indicou que muitos entrariam em seu reino sem jamais fazer o compromisso necessário. Ele disse a seus discípulos: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador” (João 10:1). De maneira que, simbolicamente, muitas pessoas sobem os muros e assim tentam roubar a cidadania do reino.

Jesus novamente destaca isto na parábola das bodas. “E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados. E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mões, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos” (Mateus 22:10–14).

Assim, os que passam na prova da fé mas falham na prova do compromisso são de um tipo diferente dos que não crêem, ou seja, dos que recusam completamente o convite às bodas. Os que não têm fé geralmente recusam por completo as afirmações e as promessas de Jesus. Eles nem sequer acreditam que exista um reino, e não fazem nenhum esforço para entrar nele.

No entanto, os que falham na prova do compromisso com freqüência sim crêem nas afirmações e promessas de Jesus. Mas eles não querem fazer o compromisso que Jesus exige. E para todos os efeitos, eles procuram aceitar o convite de Jesus ao banquete do reino, enquanto recusam todas as suas condições. E como fazem isso? Eles buscam alguém que distribua convites para ingressar no reino sem nenhuma exigência. Portanto, de maneira simbólica, podemos dizer que estes são os que sobem os muros aos montões.

Segundo Jesus, no final os penetras serão a maioria dos presentes em seu reino. Eles são os “muitos” que são chamados, mas não estão entre os “poucos” que são escolhidos. Eles nunca fizeram nenhum compromisso com Cristo ou com seu reino. Eles podem crer que Jesus é seu Salvador, mas na realidade não o aceitam como o seu Senhor.

Prova # 3: A obediência. Nos capítulos anteriores, eu falei sobre algumas das leis do reino. Estas leis servem para nos tirar dos valores e da mentalidade do mundo para os valores e a mentalidade de Deus. Estas leis também servem como uma prova. Alguns dos crentes que passam nas provas da fé e do compromisso mais tarde se tornam desobedientes. Felizmente, muitos destes cristões depois se arrependem e retornam à vida do reino.

No entanto, outros perdem completamente seu amor por Cristo. Deixam do obedecer porque deixam de amar. No final, eles também serão eliminados do reino: “Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13:41–42).

Portanto, no fim, Jesus deixará em seu reino somente os que verdadeiramente crêem em suas promessas e aceitam suas condições. Esses são os que o amam mais do que a tudo na terra e que com prazer dariam suas vidas por ele. Esses são os que Jesus quer ter ao seu lado por toda a eternidade.

Isto, em poucas palavras, é o evangelho do reino.

O relacionamento com o nosso Rei

No próximo capítulo, iremos discutir sobre como uma pessoa entra no reino de Deus. Mas antes de fazermos isso, é importante compreendermos que a essência do evangelho do reino é o relacionamento. Para dizer verdade, há doutrinas teológicas necessárias, mas a teologia não é a essência do evangelho, nem também é a essência do cristianismo.

Quando nos tornamos cidadãos do reino, entramos num relacionamento com o nosso Rei. Mas este relacionamento é muito diferente do tipo de relacionamento do qual se fala no evangelho moderno e fácil dos dias de hoje. O próprio Jesus explicou o tipo de relacionamento que ele deseja: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim” (João 15:1–4).

O que Jesus quer dizer quando se refere a que demos fruto? A seguir notemos alguns exemplos de como este termo é usado no Novo Testamento:

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito (Gálatas 5:22–25).

Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento (…); toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo (Lucas 3:8–9).

Aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência (2 Coríntios 9:10–11).

E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento, Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; Cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus (Filipenses 1:9–11).

Estes são os “frutos de justiça” que crescem em nós quando permanecemos unidos à videira de Jesus. Estes frutos encaixam perfeitamente nos valores do reino dos quais temos falado. Mas este fruto não cresce automaticamente. Temos que permanecer em Cristo e deixar que seu Pai nos pode. Temos que continuar andando no Espírito Santo. Se não dermos fruto, o Pai nos cortará da videira. É por isso que a cidadania no reino se baseia em relacionamento. E esse relacionamento depende de que permaneçamos em Cristo e nos rendamos a ele e a seu Pai.

Mas, como permanecemos em Cristo? Jesus nos disse bem claramente: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10). Portanto, permanecemos em Jesus Cristo, não por cantarmos louvores a ele, mas sim por obedecer-lhe. E daí acontece se decidirmos não lhe obedecer? Ele nos diz de maneira muito franca: “Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem” (João 15:6).

De maneira que nosso relacionamento com Jesus não é simplesmente um relacionamento qualquer, real ou imaginário. É um relacionamento de amor obediente. Na realidade, a frase “relacionamento de amor obediente” é redundante, porque é impossível amar a Jesus sem lhe obedecer. Podemos declarar publicamente o quanto o amamos, mas, sem obediência, são apenas palavras ocas. Pois ele mesmo disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21). Então, se não obedecemos a Jesus não o amamos. É simples assim. (Foi ele quem disse, e não eu!)

A falsa obediência

Pois bem, quando Jesus fala de obediência, ele se refere à obediência verdadeira, e não à obediência fingida que está tão na moda na atualidade. Seus verdadeiros mandamentos são os que estão escritos no Novo Testamento. No entanto, o evangelho fácil de hoje diz que podemos desconsiderar seus mandamentos escritos. A maioria dos cristões trata os mandamentos de Deus como se estes fossem simplesmente sugestões. O que de fato vale, segundo este evangelho popular, são os impulsos subjetivos que vêm a nossas mentes. Estes são supostamente os verdadeiros mandamentos de Jesus aos quais temos que ser obedientes. E por serem, supostamente, revelados pessoalmente a cada cristão, cada pessoa é o único juiz que pode declarar o que Deus lhe disse que fizesse ou não fizesse.

É como o velho conto do rei que se vestiu de um traje invisível. Milhões de cristões fingem que seguem obedientemente a Cristo, quando a verdade é que passam por alto e pisoteiam seus ensinos. Para melhor dizer, eles acham que muitos dos seus mandamentos são enfadonhos. No entanto, eles obedecem aos impulsos subjetivos que vêm a suas mentes, e ao fazerem isso se enganam achando que estão obedecendo a Jesus.

A verdade é que Jesus realmente dá direção pessoal aos profetas e aos que estão perto dele. Mas, a quem disse ele que manifestaria? “Aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21). Como lemos anteriormente, os que o amam são os que guardam os seus mandamentos. Jesus disse a seus discípulos que “quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito” (Lucas 16:10). Se não podemos ser fiéis no elementar, as instruções escritas que se aplicam a todos os cristões, simplesmente nos enganamos a nós mesmos se pensamos que Jesus nos dará instruções adicionais e especiais.

Se não permanecermos na videira, dando fruto, Jesus não está se manifestando a nós. Em tal caso, o relacionamento especial que cremos ter com Cristo é tão enganoso como o relacionamento que muitos católicos crêem ter com Maria.

Não se trata de outra lei mosaica

No entanto, quando falamos dos mandamentos de Jesus, por favor, não pense que acumulamos pontos por obedecermos aos ensinos de Jesus ou que ganhamos a nossa salvação fazendo isso. Como disse anteriormente, o único relacionamento aceitável para ele é um relacionamento de amor. Também não se trata meramente de outra lei mosaica. Jesus não cumpriu em si mesmo a lei só para depois nos dar em seu lugar outra longa lista de regras similares.

Jesus descreveu o que é a vida cristã quando o amamos: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28–30).

Mas como isso é possível? Em outra parte, Jesus disse que temos que abandonar tudo por ele. E até disse: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” (Mateus 10:38–39). Realmente não parece um jugo fácil.

Ah, agora chegamos ao paradoxo do reino. Quando analisamos tudo isto do ponto de vista da carne, as declarações de Jesus parecem contraditórias. Mas no Espírito Santo, suas declarações estão completamente em harmonia. A vida do reino nunca foi projetada para ser vivida na carne. Essa vida não é um novo Talmude. A vida do reino é para ser vivida no Espírito Santo; isto é, gira em torno de um relacionamento com Jesus. E é só quando enterramos nossa vida em Jesus Cristo que seu jugo pode ser fácil e seu fardo leve. Seu fardo é leve só quando nos separamos de todos os embaraços desta vida e nos devotamos ao serviço do nosso Senhor.

É só quando nossos corações estão livres das inquietudes e preocupações da vida neste mundo que podemos dizer como João: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1 João 5:3). Seus mandamentos se tornam fáceis quando nosso único reino é o reino de Deus e nossas almas se desprendem de todas as demais coisas. Por outro lado, os mandamentos de Jesus são muito pesados e quando queremos manter nosso apego a este mundo e a nossas posses, poderes e liberdades terrestres… e ao mesmo tempo tentar servir a Jesus.

  • Voltar ao índice